quarta-feira, 1 de abril de 2009

5S e programas de qualidade

5S e programas de qualidade

Autora: Yumara Lúcia Vasconcelos

O programa 5S constitui porta de entrada para implantação de programas de qualidade porque influencia positivamente posturas proativas e facilitadoras. Seus resultados, se não são tão rápidos como esperado, são visuais.

Como os efeitos estéticos ou visuais nos são apresentados de imediato, é comum encontrarmos pessoas reduzindo a utilidade do programa à melhora da ‘aparência’ do ambiente de trabalho.

Na verdade, o 5S traz conseqüências comportamentais de significado.

Em sua implantação, é importante que o seu significado não seja desperdiçado e sim, customizado à realidade de cada empresa.

Ao implantarmos o programa:


-ganhamos mais espaço, que em alguns casos, podem ser utilizados para criar ambientes de convivência;

-promovemos a segurança;

-melhoramos a perspectiva de controle;

-criamos uma disposição mental para a qualidade.


O ambiente laboral torna-se mais agradável e saudável, o que melhora as relações interpessoais e estimula o trabalho em equipe.


“O objetivo de 5S é ter uma empresa com ambienteque facilite o trabalho, que seja segura e cuja produtividade seja a mais alta possível.” (MARANHÃO, p. 97, 1996)


O ambiente é um importante facilitador da prática. O programa de 5S prepara o ambiente e as pessoas para o exercício da qualidade nos diferentes níveis da organização.

REFERÊNCIA

MARANHÃO, Mauriti. Série ISSO 9000: Manual de implementação.Rio de Janeiro: Qualitymark, 1994.

Brainstorming: tempestade cerebral

Brainstorming: tempestade cerebral


Autora: Yumara Lúcia Vasconcelos


Brainstorming ou tempestade cerebral consiste numa técnica destinada à geração de idéias, impressões e sugestões criativas sobre determinada questão, ensejando a quebra/renovação/superação de paradigmas dos membros da equipe e solução de problemas.

Para Rodrigues (p.143, 2006) “é uma técnica utilizada para auxiliar uma equipe a gerar/criar diversas idéias no menor espaço de tempo possível.”

Pode ser empregado na seleção de problemas cuja busca por solução é prioritária, identificação de causas prováveis e de respostas.

De fato, trata-se de uma técnica estimulante e facilitadora posto que coloca os profissionais como agentes ativos na busca pela solução de problemas.

Se aplicada adequadamente, desperta no indivíduo maior envolvimento e integração. Desenvolve um senso de pertencimento àquela realidade. O indivíduo se sente responsável, ativo, importante na consecução dos objetivos organizacionais.

A técnica explora positivamente a diversidade gerada principalmente pelas diferentes bases de conhecimento, recebido em capacitações ao longo da formação acadêmica do indivíduo.

A tempestade cerebral desvincula temporariamente o profissional dos limites o formalismo, imposto por muitas realidades de trabalho.

A aplicação da técnica tem como esteio a predisposição das pessoas em cooperar e suas habilidades.

Para aplicar a técnica, alguns requisitos devem ser atendidos:

-respeito às idéias e ao indivíduo;

-liberdade de expressão;

-transparência e objetividade na comunicação;

-desenvolvimento de um ambiente facilitador, empolgante, estimulante.

O desempenho na aplicação da técnica pode ser monitorado com base em fatores-chave, a saber:


-Fluência

Espera-se que sejam geradas grande quantidade de idéias, independentemente da sua qualidade ou valor;

- Flexibilidade

Idéias de diferentes categorias, ou níveis, mostram o nível de abrangência atingido pela equipe;

-Originalidade

Quando a equipe é capaz de formular idéias totalmente novas, verdadeira inovação no campo em que está se desenvolvendo a analise;

-Percepção

Consiste no rompimento com os limites da visão crítica da equipe, liberando seus membros para passos mais largos, além do óbvio;

-Impulsividade

Esse é um fator que só será atingido quando os membros da equipe se sentirem livres para pensar e agir, sem receios de punições,ou ‘caras-feias’, o que lhes permite tentar sem medo de errar.” (OLIVEIRA, p. 24, 1996)


No transcorrer das reuniões de brainstorming alguns cuidados são necessários, especialmente para os facilitadores da técnica:


-não faça julgamentos;

-mostre-se receptivo às idéias de seus pares;

-dimensione adequadamente o tempo de reunião;

-escreva em lugar visível as idéias lançadas pelos participantes, a fim de que os membros possam realizar associações;

-atribua tratamento igual a todos os participantes, independente da hierarquia funcional.

A aplicação da técnica pode ser organizada em etapas.

Etapa 01 – Definição de um problema, antes de dar início aos trabalhos.

Estabeleça os objetivos propostos. Desenvolva regras, defina metodologia

Etapa 02 – Organização do brainstorming.

Defina o tempo a ser destinado, pessoas a serem convocadas, perfil, espaço físico.

Etapa 03 – Convocação da equipe.

Etapa 04 – Realização o evento. Registre todas as idéias geradas.

Etapa 05 – Análise dos resultados



Qualidade de vida do trabalhador

Qualidade de vida do trabalhador

Autoras

Dra. Yumara Lúcia Vasconcelos
Dra. Dairlene Ribeiro Nascimento

Quando se fala em qualidade de vida do trabalhador associamos de imediato aos parâmetros relativos às condições de vida deste em seu ambiente de atividade laborativa.
A qualidade de vida no trabalho associa-se a aspectos como: compensação adequada pelo trabalho realizado, existência de condições facilitadoras e de desenvolvimento de capacidades, habilidades, segurança e integração social.
A expressão foi inicialmente utilizada em 1964 pelo presidente dos EUA Lyndon Johson, ressaltando que os objetivos não podem ser aferidos por meio de um balanço e sim, por meio da qualidade de vida proporcionada às pessoas.
O trabalhador passa a maior parte do tempo em seu ambiente de trabalho.
As ocorrências no ambiente acompanham muitas vezes o profissional para sua vida familiar/social, assim, como eventos no seio familiar são refletidos no ambiente de trabalho. Por esta razão, cada vez mais as atenções voltam-se para a relação ‘trabalhador - organização’ com vistas a melhorar seu grau de satisfação e produtividade.

São indicativos da qualidade de vida no trabalho:

-compensação adequada pelo esforço e dedicação laboral;
-manutenção de um ambiente de trabalho seguro;
-utilização adequada de sua capacidade e habilidades;
-existência de oportunidades de crescimento e ascensão funcional;
-integração social satisfatória.

A qualidade de vida no trabalho compreende também renda condizente com as expectativas pessoais e sociais, autoestima e condições ergonômicas adequadas.
Como se vê, a qualidade de vida não implica exclusivamente nas condições exigidas por lei. Envolve questões muito mais amplas, representando um universo subjetivo que demanda uma reflexão profunda sobre o trabalhador, enquanto indivíduo, e guarda relação direta com a satisfação de suas necessidades e expectativas.
A qualidade de vida compreende elementos que definem a condição de vida do indivíduo (saúde física e mental, educação, bem-estar). É conseqüência de eventos associados à relação com a família, amigos e colegas no ambiente de trabalho. É igualmente afetada por eventos circunstanciais, guardando relação com objetivos pessoais e expectativas.

O quadro 1 apresenta as categorias conceituais e os parâmetros da qualidade de vida do trabalhador.

Critérios

Indicadores de QVT

  1. Compensação justa e adequada

Equidade interna e externa

Justiça na compensação

Partilha de ganhos de produtividade

  1. Condições de trabalho

Jornada de trabalho razoável

Ambiente físico seguro e saudável

Ausência de insalubridade

  1. Uso e desenvolvimento de capacidades

Autonomia

Autocontrole relativo

Qualidades múltiplas

Informações sobre o processo total do trabalho

  1. Oportunidade de crescimento e segurança

Possibilidade de carreira

Crescimento pessoal

Perspectiva de avanço salarial

Segurança de emprego

  1. Integração social na organização

Ausência de preconceitos

Igualdade

Mobilidade

Relacionamento

Senso comunitário

  1. Constitucionalismo

Direitos de proteção ao trabalhador

Privacidade

Liberdade de expressão

Tratamento imparcial

Direitos trabalhistas

  1. O trabalho e o espaço total da vida

Papel balanceado no trabalho

Estabilidade de horários

Poucas mudanças geográficas

Tempo para lazer com a família

  1. Relevância social do trabalho na vida

Imagem da empresa

Responsabilidade social da empresa

Responsabilidade pelos produtos

Práticas de emprego.


FONTE: Carvalho (p.165, 2004)


Cresce a cada dia o interesse das pessoas por conceitos como ‘padrão de vida’ e ‘qualidade de vida’, escapando ao universo dos cientistas sociais.

Vale ressaltar que a qualidade de vida não é tão somente responsabilidade da empresa e sim de todos.

O ambiente de trabalho é uma construção coletiva, portanto, faça a sua parte, porque a sua atitude faz a diferença no ambiente de trabalho.


"Há homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido..."

Pensamento de Confúcio (Kung-Fu-Tze, mestre, filósofo e teórico político chinês, 551 a.C.-479 a.C.)




Os cinco sensos e os sensos adicionais

Os cinco sensos e os sensos adicionais



Autoras

Dra. Yumara Lúcia Vasconcelos

Dra. Dairlene Ribeiro Nascimento


Os sensos representam atividades com vistas a desenvolver atitudes.

O senso da utilização promove atitudes como:

-maior grau de compartilhamento de recursos [Comentário 1];

-reutilização de recursos;

-descarte adequado daqueles recursos que não possuem mais utilidade, para nenhuma área das áreas de trabalho na organização [Comentário 2] .

Naturalmente que estas atitudes são possíveis graças ao resgate de valores como:

-zelo aos recursos úteis;

-desapego material;

-senso de cooperação entre as áreas.

Este senso tem como conseqüência a alocação eficiente dos recursos, identificação de materiais, máquinas, equipamentos, móveis, utensílios e classificação entre o que é necessário e desnecessário.

Os recursos desnecessários podem ser cedidos às outras unidades (onde será mais útil), melhorados para serem reutilizados ou simplesmente descartados.

Recursos

Providências

Necessário e de uso freqüente.

Manter o mais próximo possível.

Necessário e com pouca freqüência de uso.

Manter em lugar que outros possam usar.

Desnecessário, porém precisa de recuperação.

Avaliar custo/benefício, recuperando-o ou desfazendo-se.

Desnecessário, porém útil para outros.

Negociar ou disponibilizar.

Desnecessário, porém útil para outros fins.

Adaptar ou dar outro destino.

Desnecessário e inútil.

Expor ou descartar.

Fonte: Ribeiro (p.111, 2006)


O senso da utilização promove a identificação e eliminação de fontes de desperdício (bloqueio de causas) em face da melhor qualidade de alocação.

O conceito pode ser aplicado no ambiente de trabalho e em casa.


O senso da ordenação promove atitudes como:

-planejamento do uso do espaço;

-guarda adequada de recursos, ensejando maior conservação;

-otimização do uso do espaço.

Estas atitudes se amparam nos seguintes valores: desenvolvimento de capacidade de planejamento e visão espacial do ambiente de trabalho.

O senso da ordenação enfatiza o planejamento do local de trabalho, sendo resumido pela expressão: “Cada coisa no seu devido lugar.”

Na definição de locais adequados para guarda de recursos, critérios associados a organização são adotados: facilidade de acesso e guarda, identificação, data de validade dos produtos, tamanho, peso, fatores ergonômicos, e outros.


O senso da limpeza promove atitudes como:

-eliminação das fontes de sujeira;

-condução das atividades sem promover desordem ou comprometer a higiene do ambiente laboral.

O senso da limpeza é conseqüência da preocupação com o ambiente de trabalho, na perspectiva da saúde e até sua estética.

A percepção das pessoas torna-se mais crítica.

O senso da limpeza enfatiza a eliminação das fontes de sujeira, onde mais importante é o ato de não sujar.


O senso da saúde promove atitudes como:

-manutenção de ambientes de trabalho agradáveis (culto às boas relações), higiênicos, ergonomicamente planejados e equilibrados;

-ênfase na educação alimentar;

-maior nível de sociabilidade;

-desenvolvimento do ‘espírito coletivo’.

O senso da saúde se preocupa com a qualidade de vida das pessoas dentro e fora da organização, condições favoráveis de trabalho (livre de agentes poluentes, seguro).

Muitas pessoas têm dificuldades em estabelecer limites entre os sensos.

O senso da saúde tem como conseqüência a definição de orientações para a prática dos três primeiros “S”, visando à padronização de ações e a criação de um ambiente facilitador de fato, voltado para a saúde da mente e do corpo.


O senso da autodisciplina promove atitudes como:

-culto a disciplina relativa à prática dos procedimentos definidos [Comentário 3];

-respeito às regras, normas e leis.

O senso da autodisciplina resgata valores como: respeito, responsabilidade e tolerância.

Este senso é fundamental para a manutenção do programa.

Enquanto os três primeiros sensos trabalham nas pessoas o ‘hard’’, o físico [Comentário 4] , os dois últimos, desenvolvem o ‘soft’’, a essência. Podemos afirmar ainda, que os três primeiros sensos são baseados na mudança de comportamento, enquanto que os dois últimos sensos, convergência dos três primeiros, desenvolvem a atitude.

Quando uma organização alcança a plenitude do programa significa que os comportamentos das pessoas passaram a ser espontâneos, despertados pela consciência (atitude).

Assim, podemos concluir que os três primeiros “S” representam os estágios iniciais do processo.

A seqüência dos cinco sensos é estratégica porque a ordenação depende da utilização adequada de recursos, assim como o grau de ordem facilita a implantação do senso da limpeza, facilitando a manutenção de ambientes de trabalhos saudáveis, estimulando a autodisciplina.

Como se vê são diversos os benefícios do programa, a saber:

-utilização eficiente dos espaços;

-conscientização do impacto do desperdício;

-minimização do nível de desperdício e conseqüentemente das perdas;

-redução de exposição a riscos;

-diminuição da freqüência das doenças ocupacionais;

-estímulo à participação;

-melhora das relações interpessoais e aspecto estético do ambiente;

-maior comprometimento e engajamento funcional em ações coletivas;

-aumento da produtividade.

As organizações já trabalham com sensos adicionais.


S

Expressão japonesa

Significado

6o.

Shikaki

Firmeza

7o.

Shitsukoku

Dedicação

8o.

Seisho

Relato com ênfase

9o.

Seido

Ação simultânea

Os conceitos apresentados são profundos e repercutem na atitude e comportamento das pessoas, abrindo portas para a implantação de filosofias gerenciais, que se aplicam em diferentes áreas da organização.

***

[Comentário 1] Aqueles recursos que não são mais aproveitados na unidade de trabalho, podem ser cedidos a outra, na qual será útil.

[Comentário 2] Essa disponibilização de recursos tem impacto financeiro porque evita que investimentos desnecessários sejam realizados visando aquisições.

[Comentário 3] Vale ressaltar que os procedimentos são construções coletivas. O respeito e obediência às regras, todavia, não implica que não devamos sugerir melhoras/refinamentos/adequações, mas sim, que devemos agir proativamente, de forma cordial e respeitosa..

[Comentário 4] É uma oportunidade para eliminação dos vícios laborais e inconveniências provocadas por costumes contraproducentes.

PROGRAMA 5S: uma visão geral

PROGRAMA 5S: uma visão geral



Autora: Yumara Lúcia Vasconcelos



O programa 5S constitui porta de entrada para implantação de programas de qualidade porque influencia positivamente posturas proativas e facilitadoras. Seus resultados, se não são tão rápidos como esperado, são visuais.

Como os efeitos estéticos nos são apresentados de imediato, é comum encontrarmos pessoas reduzindo a utilidade do programa à melhoria da ‘aparência’ do ambiente de trabalho.

Na verdade, o 5S traz conseqüências comportamentais expressivas.

Em sua implantação, é importante que o seu significado não seja desperdiçado e sim, customizado à realidade de cada empresa.

Ao implantarmos o programa:


§ ganhamos mais espaço, que em alguns casos, podem ser utilizados para criar ambientes de convivência;

§ promovemos a segurança;

§ melhoramos a perspectiva de controle;

§ criamos uma disposição mental para a qualidade.


O ambiente laboral torna-se mais agradável e saudável, o que melhora as relações interpessoais e estimula o trabalho em equipe.


“O objetivo de 5S é ter uma empresa com ambiente que facilite o trabalho, que seja segura e cuja produtividade seja a mais alta possível.” (MARANHÃO, p. 97, 1996)


O ambiente é um importante facilitador da prática. O programa de 5S prepara o ambiente e as pessoas para o exercício da qualidade nos diferentes níveis da organização.


REFERÊNCIA


MARANHÃO, Mauriti. Série ISSO 9000: Manual de implementação. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1994.